Marinha - Almirante quer frota moderna
As marinhas não são baratas, mas é tempo de compensar largos períodos de desinvestimento”, afirmou ontem na Figueira da Foz o chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA), reafirmando o desejo de “modernizar” este ramo das Forças Armadas Portuguesas.
O almirante Vidal Abreu, que falava durante as comemorações do Dia da Marinha, adiantou que “importa estar no mar”, de diferentes formas, e Portugal quer ter uma marinha oceânica. O CEMA alertou que o País “não pode ter duas marinhas, concorrendo entre si na disputa dos escassos recursos disponíveis” e apelou ao ministro da Defesa Nacional para que se “cumpra o que está planeado, já de recurso, e não se voltem a cometer os erros do passado”.A Marinha já assinou um contrato-quadro para a construção de seis navios de patrulha oceânica, que substituirão as actuais corvetas, e de cinco lanchas de fiscalização costeira, que substituirão os navios patrulha da classe Cacine. Em finais de 2006 receberá, dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, o segundo navio patrulha oceânico, baptizado de ‘Figueira da Foz’.Vidal de Abreu considerou que a Marinha “tem a consciência” de que aquilo que pede ao Estado “não é uma despesa, mas um investimento em segurança”.O CEMA salientou ainda as dificuldades sentidas no caso do arsenal do Alfeite, cuja reestruturação “vem sendo sucessivamente adiada” e deve ser considerada “uma prioridade”.Luís Amaro, ministro da Defesa Nacional, afirmou que, perante as dificuldades que o País atravessa, “terá de haver algumas rectificações nas despesas em diferentes sectores”, que estão em estudo.Quanto ao arsenal do Alfeite, o governante disse que “é um dos problemas que têm vindo a ser adiados ao longo dos últimos anos”, adiantando que “as Forças Armadas (e a Marinha) têm alguns problemas estruturais. Esse é um deles e tem de ser resolvido o mais rapidamente possível”.FESTA CONTINUA ATÉ DIA 29As comemorações do Dia da Marinha prolongam-se até ao próximo dia 29, com actividades lúdicas e culturais. Ontem estiveram na Figueira da Foz cerca de mil militares da Marinha, o navio-escola ‘Sagres’, o submarino ‘Delfim’, corvetas, as fragatas ‘Alvares Cabral’ e ‘João Melo’, o navio de reabastecimento ‘Berrio’, entre outros equipamentos navais. 359 FORAM SALVOS NO MARA Marinha portuguesa efectuou no ano passado 663 operações de busca e salvamento no mar, que permitiram salvar 359 pessoas. Neste âmbito, a área de responsabilidade da Marinha Portuguesa é 58 vezes superior à área do território nacional, revelou na Figueira da Foz o chefe do Estado-Maior da Armada.PORMENORESCONDECORADORui Silva, um pescador de 18 anos residente na ilha do Pico, Açores, foi condecorado pela Marinha por ter salvo o pai e outro colega de profissão de morrerem afogados, a 8 de Maio do ano passado, na sequência do naufrágio do barco que os três ocupavam.4 MIL VISTORIASEm 2004, quatro mil embarcações foram vistoriadas em mar territorial português e zona económica exclusiva (ZEE). Entre outras missões, a Armada tem a seu cargo a fiscalização da pesca na ZEE, uma área 18 vezes superior ao território continental.NAVEGAÇÃOAs embarcações da Marinha Portuguesa navegaram, em 2004, 47775 horas, o que corresponde a cinco navios no mar, 24 sobre 24 horas, sublinhou Vidal Abreu nas cerimónias que decorreram na Figueira da Foz.
---in: "Correio da Manha" - 21/05/2005 - Jorge Lemos

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