Projecto de fusão vai ter sede em França
A França foi o país escolhido para receber o reactor de base do projecto de fusão nuclear, ou Reactor Experimental Termonuclear Internacional (ITER), avaliado em 10 mil milhões de euros. O Japão desistiu da candidatura após ter negociado um prémio de consolação que lhe atribui 20 por cento dos 200 postos de trabalho de investigação.
O contrato, assinado esta terça-feira em Moscovo, capital da Rússia, e determina que o ITER seja construído em Cadarache, no sul de França. A decisão foi tomada pelos seis parceiros (União Europeia, Rússia, China, Japão, Estados Unidos da América e Coreia do Sul) deste projecto de investigação científica e estratégica avaliado em 10 mil milhões de euros durante 30 anos. O objectivo é construir e colocar em funcionamento o primeiro reactor capaz de gerar electricidade através da fusão nuclear, um método de produção energética que imita a forma como o sol produz energia e usa como combustível a água do mar.A escolha conhecida hoje pôs termo a um prolongado braço de ferro entre o Japão, apoiado pelos EUA e pela Coreia do Sul, e a União Europeia, que contava com o apoio de Moscovo e Pequim. O Japão debateu-se durante meses para defender a localização do projecto em Rokkasho-Mura, no Norte do arquipélago, até que o governo japonês decidiu, na semana passada, retirar a sua candidatura em troca de compensações, que lhe atribuem 20 por cento dos postos de trabalho de investigação e apenas 10 por cento de contribuições nas despesas do projecto. No discurso que precedeu a assinatura do contrato, o presidente francês, Jacques Chirac, agradeceu o apoio demonstrado pela Comissão Europeia durante as negociações e mostrou-se satisfeito com a decisão final. “É um grande sucesso para a França, para a Europa e para todos os parceiros do ITER”, afirmou. Também o primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, deu as boas-vindas ao projecto e, em comunicado emitido pelo seu gabinete, realçou a contribuição do mesmo para a criação de 4 mil novos postos de trabalho em França. Este é um passo importante para o executivo francês, numa altura em que uma das suas prioridades é a baixar a taxa de desemprego em França, a maior dos últimos cinco anos.
ITER VAI CRIAR ENERGIA RENOVÁVEL E LIMPA
A fusão nuclear é vista como uma forma de produção de energia inesgotável e segura. A diferença entre um reactor termonuclear e os que actualmente equipam as centrais nucleares é o facto de se basear na fusão e não na fissão nuclear. Durante o processo de fusão, um reactor termonuclear apenas liberta hélio, um gás inofensivo, e não gases tóxicos. O processo ainda está em aperfeiçoamento, no entanto a fusão nuclear é vista como uma das alternativas mais fiáveis para enfrentar a crise energética, resultante do futuro esgotamento das reservas de combustíveis fósseis (sobretudo, o petróleo).
AMBIENTALISTAS PROTESTAM
Grupos ambientalistas franceses já responderam de forma negativa ao acordo que irá permitir a construção do primeiro reactor experimental de fusão nuclear.O Greenpeace considera o projecto um "desperdício de dinheiro". As estimativas dos ambientalistas apontam que o ITER só terá resultados a partir da segunda metade do século.De acordo com Frederic Marillier, porta-voz do Greenpeace em França, "existem outras opções ecológicas com maiores efeitos a curto prazo".
---in: "Correio da Manhã"

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