Cientistas americanos e europeus estão a pedir ajuda para tratar os dados informáticos da busca de ondas gravitacionais - previstas pela teoria da relatividade de Einstein, em 1916, mas impossíveis de detectar directamente até agora. A tarefa de processar os dados obtidos por dois observatórios que procuram os efeitos gravitacionais de objectos com uma enorme massa, como as estrelas de neutrões e pulsares, é tão exigente que nem o mais potente computador a pode completar sozinho. Por isso é necessário um projecto como o Einstein@home.
A ideia deste projecto da Sociedade Americana da Física é usar os tempos livres dos computadores pessoais de voluntários para processar os dados coligidos pelos detectores de ondas gravitacionais Ligo (observatório de ondas gravitacionais americano) e Geo (observatório europeu), para tentar identificar ondas gravitacionais. Estes observatórios procuram sinais vindos de estrelas de quarks e neutrões, que são muito densas e compactas, e por vezes se transformam em pulsares. Por terem tanta massa e tão concentrada, serão capazes de produzir ondas gravitacionais - que os cientistas definem como rugas no tecido espaço-tempo, produzidas por eventos violentos que envolvem objectos cósmicos com enormes quantidades de massa, como colisões de buracos negros ou a explosão de estrelas. Os observatórios Ligo e Geo podem detectar estes sinais se as estrelas estiverem perto da Terra.
O projecto Einstein@home é uma das muitas iniciativas do Ano Mundial da Física, que se comemora em 2005, dedicado a homenagear o centenário do ano em que Einstein publicou os artigos científicos relativos à teoria da relatividade, entre outros. De caminho, procura-se divulgar a física. O funcionamento do Einstein@home é simples: quando os computadores não estão a ser usados, efectuam o download dos dados do Ligo e do Geo e procuram sinais de ondas gravitacionais. Enquanto procura, a protecção de ecrã mostra uma esfera celestial com as principais constelações vistas da Terra. Uma área a mover-se indica a zona do céu que está a ser pesquisada de momento naquele computador.
O Einstein@home é uma imitação do popular programa SETI@home, que atraiu cinco milhões de utilizadores, e procurava sinais de civilizações extraterrestres. Embora actualmente tenha cerca de 30.000 utilizadores, "o programa Einstein tem o objectivo de recrutar cerca de 100.000 voluntários" disse ao site Science Now Brune Allen, físico da Universidade de Wisconsin e um dos responsáveis pelo projecto.
Os interessados em participar na busca de ondas gravitacionais podem obter mais informações consultando o site
http://einstein.phys.uwm.edu.
---in: "Público - 2005/04/03 - 12h57 - Andreia Brás"