Ondas para gerar energia
O ministro dos Transportes e das Obras Públicas, Mário Lino, esteve ontem no Porto para a assinatura do protocolo de um projecto-piloto, que visa o aproveitamento das ondas do mar para a produção de energia, no molhe norte da barra do Douro.
O inovador projecto implicará um investimento de 2,8 milhões de euros e que segundo Pedro Rezende, do grupo EDP, irá produzir no primeiro ano 1,2 milhões de quilowatts de energia, suficientes para abastecer 500 a 600 lares.
O ministro Mário Lino mostrou-se rendido às vantagens do projecto que visa o aproveitamento da energia das marés. “Trata-se de um projecto que ainda está em fase de estudo mas que é de importância vital, porque se trata de uma forma de energia alternativa que é melhor para o ambiente“, disse.
O ministro tem ainda em mente os compromissos ambientais do País. “E um passo para que Portugal respeite até 2010 o protocolo de Quioto, e a obrigação de até essa data produzir 39% de energias renováveis”, afirmou Mário Lino.
Em tempos de crise, o ministro dos Transportes e das Obras Públicos parece não ter medo que o dinheiro falte. “Os financiamentos para o projectos com viabilidade estão sempre garantidos”, garantiu Mário Lino.
O projecto que envolve o Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos, a EDP e a empresa responsável pelo projecto, a Consulmar, está ainda em fase de estudo, e até Setembro será tomada uma decisão em relação à sua viabilidade.
Os testes em laboratório para verificar a viabilidade do projecto custarão até o fim de 2005, 200 mil euros.
No mundo existem quatro projectos semelhantes ao que agora pode nascer no Porto. São os casos do Japão, Índia, Escócia e Açores. Silveira Ramos, da Consulmar, disse que se trata de um projecto com uma componente de inovação tecnológica, que produzirá energia em quatro turbinas a partir do ar provocado pela pressão das ondas.
O molhe que albergará a central de aproveitamento da energia das marés terá também uma vertente lúdica. Os transeuntes poderão também desfrutar da vista proporcionada pelo novo molhe.
---in: "Correio da Manhã - 2005/08/10 - João Carlos Malta"
