Atracção explicada
Um estudo realizado pelo Instituto da Inteligência do Porto revela que a atracção pela matemática ou pelas letras tem origem genética e hereditária, factores que ultrapassam o esforço de alunos e professores.
"A maior ou menor habilidade para os algarismos e o cálculo ou para as letras e a linguística devem-se a estruturas cerebrais e mentais que dependem de factores genéticos e hereditários", garante o Instituto da Inteligência, em comunicado. Pesquisas feitas pelo instituto através de técnicas de criação de imagens do cérebro e de provas neuropsicológicas "atestam que a aptidão para o cálculo depende de estruturas cognitivas e de factores de personalidade que não são susceptíveis de alteração". Segundo dados divulgados segunda-feira pelo Ministério da Educação, mais de dois terços dos 84.980 alunos do 9 ano sujeitos a exame reprovaram na prova de Matemática, que contava 25 por cento para a nota final. Apesar destes resultados, 74 por cento dos alunos do 9 ano ficaram aprovados à disciplina de Matemática, dado terem classificação positiva no terceiro período lectivo. Contactado pela Lusa, o director do Instituto da Inteligência, Nelson Lima, frisou que, ao contrário do que tem sido defendido por especialistas de outras áreas, a aptidão para o cálculo e para a matemática "não tem nada a ver com a forma como se ensina" esta disciplina. "A predisposição para a matemática é genética. Não tem nada a ver com questões culturais", afirmou Nelson Lima, reconhecendo que a adopção de estratégias de motivação dos alunos pela matemática pode ter resultados positivos, mas "não se esperam grandes milagres". Para o director do instituto, as crianças que não demonstrem desde cedo uma grande facilidade e um grande gosto por esta disciplina "nunca serão génios em matemática, porque as estruturas delas não as predispõem para a matemática".

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