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terça-feira, julho 19, 2005

Mais três graus centígrados

A temperatura média na Sibéria aumentou três graus centígrados desde 1960. De acordo com um estudo europeu, esta enorme superfície arborizada absorve menos gás com efeito de estufa do que se esperava.

A enorme superfície arborizada da Sibéria absorve menos gás com efeito de estufa do que se esperava. Começa assim mais cedo a fusão das neves e dos gelos. A conclusão é de um estudo coordenado pela Universidade de Jena no leste da Alemanha, que utilizou dados fornecidos por satélites europeus, japoneses e norte-americanos. O aumento de temperatura observado na taiga siberiana aumenta a libertação de carbono orgânico para a atmosfera, tal como a produção de metano, um gás com efeito de estufa. "Tudo isto contribui para que a taiga, no seu conjunto, absorva menos gás com efeito de estufa do que supúnhamos até agora", declarou a professora Christiane Schmullius, da Universidade de Jena, citada pela agência Lusa. A investigadora acredita que as conclusões do estudo poderão aplicar-se a outras grandes florestas do hemisfério norte, nomeadamente no Canadá e nos Estados Unidos. A taiga siberiana absorve apenas 20 por cento da produção russa de dióxido de carbono de origem humana e 10 por cento da produção europeia, segundo Martin Heimann, do Instituto Max-Planck. Segundo os cientistas, o estudo contradiz a ideia de que a reflorestação ajude a lutar contra o efeito de estufa, como o afirmam os defensores do Protocolo de Quioto. O protocolo de Quioto foi concluído em 1997 e entrou em vigor desde Fevereiro deste ano. O acordo visa uma redução global de 5,2 por cento das emissões de gases com efeito de estufa emitidos no planeta até 2012 em relação a 1990.

---in: "SIC online - 2005/07/15"